Encontrando equilíbrio com Ballet Fly

“Meu pé, meu querido pé. Que me aguenta o dia inteiro…”

Passamos grande parte do tempo calçados. Seja usando sapatos fechados que dificultam o movimento dos dedos dos pés, calçando saltos que modificam o eixo de gravidade ou usando chinelos, que incentivam os dedos a agarrar a sola enquanto caminhamos, nossas opções de calçados comprometem a boa mobilidade dos pés.

Seja como for a sua pisada e o seu estilo, a consequência do uso de calçados é o comprometimento da marcha. Uma vez que os pés não recebem o estímulo necessário para realizar movimentos refinados, perdem a flexibilidade, tornam-se rígidos, tensos e fracos.

Além disso, as fáscias que cruzam as solas dos pés tendem a perder o deslizamento natural. Fáscias são tecidos finos que passam pelo corpo todo. Se a pele nos reveste como um papel de presente, embrulhando o corpo todo, imagine que as fáscias ultrapassam essa função, envolvendo também músculos, cruzando articulações, ossos e órgãos. Não apenas as fáscias se cruzam, como também se integram. Então quando uma fáscia perde sua capacidade de deslizar, ela afeta a movimentação de todas as outras.

Nas solas dos pés temos inúmeras fáscias que transpassam e se sobrepõem. Com isso em mente, já possível imaginar impactos negativos da falta de mobilidade afetando mais do que a coluna, o joelho e o quadril, como se costuma perceber. Os órgãos e as vísceras podem ser afetados. Nosso humor pode ser afetado.

No começo de cada aula de Ballet Fly, abordamos um tema que vai permear a aula do início ao fim. E a mobilidade dos pés é um dos meus temas favoritos. No decorrer de toda aula de Ballet Fly, os praticantes passarão por desafios de equilíbrio, irão pisar de diferentes formas e receberão a pressão que o tecido do equipamento de Ballet Fly provoca.

A primeira etapa é estimular a abertura dos dedos dos pés para criar uma boa base de suporte. Depois aquecer a coordenação motora fina, estimulando a mobilidade. Daí então, os movimentos da dança, com o suporte instável do tecido vão conduzir o trabalho de fortalecimento dos músculos estabilizadores dos pés (que evitam quedas e torções do tornozelo). As travas do tecido, que usamos para montar as acrobacias aéreas, pressionam diferentes pontos dos pés, contribuindo para a liberação das fáscias.
Assim, etapa por etapa essa dança aérea vai fazendo sua parte na saúde do corpo como um todo, para garantir a qualidade do movimento dentro e fora da aula.

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